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O legado eterno de André Matos ecoa nos palcos brasileiros

Turnê All Metal Stars reúne grandes nomes do metal nacional em uma homenagem emocionante que revisita todas as fases da carreira do maestro



Naquele dia 8 de junho de 2019, fãs foram tomados por uma terrível e inesperada notícia: André Matos, um dos maiores expoentes do heavy metal nacional, conhecido mundialmente pela sua obra com o Viper, Angra, Shaman, faleceu aos 47 anos.



Desde então, são muitos os tributos e bandas que mantém sua obra viva: Here I Am, de São Paulo, que já passou por diversas cidades do país tocando músicas de todas as fases da carreira de André; o Shamangra, que é um projeto formado por músicos incríveis e que foi criado pelo Mariutti Team para homenagear a carreira do baixista Luis Mariutti, uma referência no instrumento para tantos músicos e que esteve ao lado de André Matos em seus diversos projetos.



E a mais recente homenagem chega com a turnê especial All Metal Stars, que tem passado por várias cidades do país em celebração ao legado musical do André. O vocalista e produtor Thiago Bianchi (Noturnall) , o monstruoso guitarrista Edu Ardanuy (Dr. Sin e que a partir desse dia, carrega a espada do power metal) e o baterista polvo Aquiles Priester (Hangar, W.A.S.P.) encabeçam a banda, que também conta com Guilhereme Torres (talentoso guitarrista vindo do Paraná) e Saulo Xakol (baixista da Noturnall). Pra completar e deixar o show ainda mais emocionante, o baixista e irmão do André, Daniel Matos (Viper) completa um time que, em mais uma oportunidade, entregou um show de muita competência em diversos aspectos.



A noite começou com o show da Krakkenspit, banda de Goiânia criada em 2016 formada por Márcio Cruvinel (vocal), Aldo Guilherme (guitarra), Julian Stella (baixo) e Bruno Dias (bateria)e que trouxe um heavy metal de sonoridade moderna e muita personalidade. Uma apresentação enérgica e com muito peso que deixou evidente que a caminhada da banda tem tudo para ser longeva na cena nacional e também agradar público e crítica internacional. Vale demais conferir o seu álbum de 2025 "Tides of Armageddon", que conta com a produção de Thiago Bianchi.



Na sequência, subiram ao palco os gaúchos da Phornax, para uma apresentação de muito peso, velocidade e técnica, com algumas músicas lembrando bastante o Judas Priest na sua fase com Ripper Owens. A banda conta com músicos experientes: nas guitarras, Eduardo Martinez (que já fez parte do Hangar, banda do Aquiles Priester) e Deivid Moraes, no baixo o carismático Sfinge Lima, Mauricio Dariva na bateria e também o versátil vocalista Cristiano Poschi, dono de uma voz potente e que me lembrou bastante a voz de Pedro Campos (Hangar, Soulspell).



Assim como a Krakkenspit, o público recebeu a Phornax muito bem e isso prova o quão importante é não apenas dar espaço às bandas nacionais nas aberturas para os grandes nomes, mas também dar as condições técnicas para que tais bandas possam mostrar toda a qualidade de seus trabalhos.



Com o público devidamente aquecido - e que compareceu em bom número para uma noite de domingo, o All Metal Stars subiu ao palco ovacionado pelos presentes ao som da introdução "Unfinished Allegro" para o início de um show incrível de praticamente duas horas de duração, que começou com "Carry On" - talvez o hino máximo da fase do Angra com André Matos nos vocais.



Com um set list que passou por Angra, Shaman, Viper e também pela carreira solo ("Letting Go" foi cantada brilhantemente por Guy Antonioli do Tierramystica), essa homenagem ao

maestro André Matos foi permeada por muitos momentos emocionantes. O vocalista Thiago Bianchi não disfarçava nem um pouco o quanto esse show significava para ele, mas também Daniel Matos (irmão do André que tocou baixo em determinada parte da apresentação), que não poupou agradecimentos à banda, aos presentes, além de falar afetuosamente de André e de como aquela era exatamente o tipo de homenagem que queria fazer ao irmão. Daniel também embargou a voz ao falar que sua esposa e filhos estavam presentes e como aquilo tornava o momento ainda mais importante e especial.



Mas acho que nesse quesito de emoção, posso dizer que ninguém se conteve quando Thiago anunciou, antes da banda tocar "Fairytale", a presença da mãe do André, Dona Sônia, que estava no mesanino e foi presenteada não apenas com um buquê de flores mas também com muitos aplausos. Daniel até foi brevemente pro fundo do palco porque não conteve suas lágrimas.



Sem brincadeira, o que tinha de gente chorando pela Audio nessa hora foi algo notável. Claro, as músicas por si só já arrancaram lágrimas do público (teve gente se debulhando em lágrimas em "Living fo the Night", que foi cantada pelo Daniel), mas o momento com a Dona Sônia foi tão legal que só me fez pensar que tudo aquilo... parecia certo, sabe? Porque tocar essas músicas de forma competente, claro, não é algo difícil de encontrar (que bom!), mas com tamanha entrega e troca entre banda e público... isso não acontece todo dia. E o melhor, para quem não pôde ir: o show foi gravado para posterior lançamento em DVD.



Fica a dica: se a turnê do All Metal Stars passar pela sua cidade, vá! É um baita show, durante o qual você não apenas vai matar saudades das músicas da carreira de André Matos, mas também terá a oportunidade de conhecer novos nomes do metal nacional abrindo a noite.



Setlist All Metal Stars:

Unfinished Allegro / Carry On

Here I Am

Carolina IV

Time

Wuthering Heights

Living for the Night

Stand Away

Make Believe

Fairy Tale

Letting Go

Lisbon

For Tomorrow

Crossing / Nothing to Say

Angels Cry

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