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Premiada peça COCK, do autor inglês Mike Bartlett, dirigida por Nelson Baskerville, ganha nova temporada no Teatro Vivo, em São Paulo

A Comédia traz um homem em conflito com sua sexualidade e identidade, dividido entre um antigo amor e uma nova e inesperada paixão.


Foto: Heloísa Bortz
Foto: Heloísa Bortz

Contemplado pelo 10º Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo e indicado a Melhor espetáculo presencial de 2021 pelo Prêmio APCA, Cock, com texto do autor inglês Mike Bartlett e direção assinada por Nelson Baskerville, reestreia na capital paulista no Teatro Vivo, no dia 2 de abril, ficando em cartaz às quartas e quintas, às 20h, até 11 de junho.

 

A nova temporada marca a entrada da atriz Bruna Thedy no elenco da montagem, que passa a dividir a cena com Daniel Tavares (Melhor Ator – Zescar), Hugo Coelho e Marco Antônio Pâmio (Melhor ator coadjuvante – Observatório do Teatro). A peça fala com muito humor sobre identidade, relacionamentos, desejo, bissexualidade e outros temas presentes no debate contemporâneo.

 

Para Bruna Thedy, entrar em um espetáculo que já possui trajetória consolidada é estímulo. “É sempre um desafio entrar num projeto que já está em andamento, mas sinto que estou sendo muito bem recebida e com espaço para trazer meu tom para a personagem. Já trabalhei com quase todas as pessoas do elenco em outros projetos, então essa intimidade também ajuda na hora de construir essa nova configuração”, comenta.

 

A atriz também destaca o processo de criação no texto de Mike Bartlett. “É uma dinâmica super interessante, com um texto muito engenhoso que possibilita várias maneiras de transitar por esse ringue. Construir essa personagem solar, leve e intensa ao mesmo tempo, está sendo desafiador e também um prazer”, afirma.

 

Cock é uma das obras mais emblemáticas da carreira do dramaturgo britânico Mike Bartlett e rendeu ao autor o Olivier Award (2010) na categoria Outstanding Achievement, prêmio considerado a principal honraria do teatro britânico. No Brasil, a dramaturgia de Bartlett, frequentemente apontado como um dos principais autores da cena contemporânea inglesa, vem ganhando cada vez mais espaço, e com Cock não foi diferente.

 

Ao longo dos anos, Cock também ganhou diversas montagens internacionais com nomes de destaque do cinema e do teatro. Na Argentina, o ator Leonardo Sbaraglia protagonizou uma montagem de grande sucesso em Buenos Aires. Em Londres, a primeira encenação da peça contou com Ben Whishaw e Andrew Scott no elenco. Mais recentemente, o texto voltou aos palcos britânicos com Jonathan Bailey e Taron Egerton, reforçando a presença da obra de Bartlett no circuito teatral internacional.


Foto: Heloísa Bortz
Foto: Heloísa Bortz

 

O espetáculo acompanha o turbulento processo de descoberta da identidade e da sexualidade de John, que namora há sete anos com um homem. Quando ele e seu companheiro decidem dar um tempo, o protagonista se apaixona por uma mulher, algo novo em sua vida.

 

Cheio de angústias e sentimentos conflitantes, John é pressionado a decidir entre o amor de seu antigo namorado e de sua nova parceira. Mas a maior luta do protagonista é para entender quem ele realmente é e o que sente. Esse conflito é ainda mais agravado pelos próprios desejos de John e pela pressão social para que ele se enquadre em rótulos pré-determinados.

 

Para Daniel Tavares, que vive John desde a estreia da montagem, a relação com o personagem amadureceu. “Acho que o tempo só aprofunda as relações e acontece o mesmo comigo e esse personagem. Sinto que entendo ainda mais suas angústias de tentar descobrir quem ele é e sua dificuldade de se definir dentro de caixas já predeterminadas”, afirma o ator.

 

Ele destaca ainda o conflito central da trama. “John se vê entre um amor antigo, cheio de conflitos, e uma paixão nova que sugere muitas possibilidades. É um personagem complexo, cheio de falhas e contradições, e justamente por isso é muito bom interpretá-lo”, completa.

 

Cock, em inglês, é uma palavra com múltiplos sentidos. Significa galo, pau/pênis e também é uma gíria para descrever alguém de personalidade arrogante. A peça brinca com todos esses sentidos. Conhecida como The Cockfight Play, a obra dramatúrgica começou a ser escrita durante um intercâmbio do autor no México, país da luta livre e onde ainda existem as brigas de galos. De alguma forma, Bartlett conectou o ritual das rinhas, nas quais, em um pequeno palco, duas criaturas se atacam, lutam e se destroem, - com o ritual do teatro. E a partir dessa imagem, ele construiu essa trama centrada em embates cortantes e emocionais.

 

Nessa disputa, em que cada personagem tenta convencer os demais sobre seu ponto de vista, a plateia é colocada com muita delicadeza no papel de voyeur e é convidada a pensar sobre as questões debatidas. E esse exercício de empatia com a situação dos quatro personagens é acentuado pelo fato de que o texto não traz respostas prontas.


Foto: Heloísa Bortz
Foto: Heloísa Bortz

 

A encenação

diretor Nelson Baskerville segue a sugestão do autor de ambientar a peça em um ringue. No centro do palco, os quatro atores se chocam entre si, expondo angústias, medos, amores e os próprios desejos. “A encenação cria um espaço de confronto em que cada palavra e cada silêncio contam. A ideia é aproximar o público das tensões desses personagens, para que ele acompanhe suas respirações, sinta suas inquietações e também sofra por eles e possa torcer para que se machuquem o menos possível, porque é evidente que vai doer. O amor é transgressivo e dói”, comenta o diretor.

 

Quanto à ambientação cênica, há apenas um grande tapete que indica a área em formato de quadrado dos embates e sobre essa área, há uma grande luminária que varia entre uma luz mais crua e fria e outra mais quente e intimista dependendo do que está acontecendo em cena. Tudo é mínimo para que o foco seja a ação dramática e para que o público se mantenha engajado com uma imaginação ativa criando seus próprios significados.

 

A encenação também segue outra sugestão de Bartlett na concepção dos figurinos, que é a de caracterizar os personagens sem muitas definições ilustrativas e óbvias, o que é importante em uma peça na qual se questiona justamente a categorização das pessoas. E como se trata de uma dramaturgia impecável, construída por um grande engendrador de almas e profundo conhecedor do ofício, ela tem seu valor potencializado/evidenciado na exploração dos tempos, ritmos, sutilezas, pausas, e interrupções de falas sugeridas na obra. Tudo isso conduzido por um jogo absolutamente vivo e preciso dos atores.

 

Sinopse:

John tem um relacionamento com outro homem há sete anos. Quando os dois resolvem dar um tempo, ele se apaixona por uma mulher. Cheio de angústias e sentimentos conflitantes, o protagonista mantém as duas relações sem saber para que lado ir. Tanto o namorado como a namorada estão dispostos a lutar pelo amor de John, mas a maior briga do protagonista é para entender quem ele é, num torturante conflito com o próprio desejo e sem conseguir se enquadrar nos rótulos sociais.

 

Trajetória da Peça:

Contemplado pelo 10º Prêmio Zé Renato da Cidade de São Paulo, o espetáculo Cock, com texto do autor inglês Mike Bartlett e direção assinada por Nelson Baskerville, estreou em dezembro de 2021 na Oficina Cultural Oswald de Andrade, na capital paulista. A peça seguiu para apresentações no Sesc Sorocaba e, mais recentemente, no Circuito Sesi nas cidades de São Paulo, Birigui e Franca. A montagem agora volta em cartaz em 2026 no Teatro Vivo. Cock foi indicado a Melhor Espetáculo Teatral Presencial do 2º semestre de 2021 pelo Prêmio APCA, vencedor de Melhor espetáculo presencial e de Melhor Ator para Daniel Tavares pelo Zescar, e Melhor Ator Coadjuvante para Marco Antônio Pâmio pelo Observatório do Teatro.

 

Trechos de Críticas:

 

"O público é lançado como testemunha dessa rinha na encenação de Nelson Baskerville, que segue sugestão do autor. O diretor procura aproximar o espectador ao máximo das personagens, na expectativa que a plateia torça por essas figuras que expõem suas paixões e medos. Mas avisa que o embate vai doer. “O amor é transgressivo e dói”, entende o diretor." - Ivana Moura, Satisfeita, Yolanda?

 

“O espetáculo estabelece discussões acerca de autoconhecimento, crise de identidade e as frustrações causadas pelas expectativas sociais”. - Bruno Cavalcanti, Observatório de teatro.

 

“O turbulento processo de descoberta da sexualidade e da identidade de John conduz o texto do britânico Mike Bartlett. Cheio de angústias e sentimentos conflitantes, o protagonista se vê dividido entre a relação com o antigo namorado e a recente paixão por uma mulher.” - Cirley Ribeiro - Cultura FM

 

Foto: Heloísa Bortz
Foto: Heloísa Bortz

Sobre Mike Bartlett

Mike Bartlett é um dos mais proeminentes dramaturgos ingleses da atualidade. Já foi autor residente do National Theatre e do Royal Court Theatre de Londres. Ele também é roteirista de TV e escreveu várias séries de sucesso na Inglaterra. Sua escrita é afiada, inteligente e possui uma comunicação clara, bem-humorada e direta com os públicos jovem e adulto.

 

A maioria de suas peças ganhou grande destaque na cena teatral internacional e o autor também foi reconhecido com importantes prêmios, principalmente na Inglaterra. Com King Charles III ganhou o Critic’s Circle Award e o Olivier Award na categoria Best New Play e foi indicado ao Tony Award na mesma categoria. Love Love Love ganhou Best New Play no Theatre Awards UK. Ele também ganhou os prêmios Writer’s Guild Tinniswood e Imison pela peça Not Talking, e o Old Vic New Voices Award por Artefacts.

 

No Brasil, peças como Bull, Contrações e Love Love Love, todas com estilos e temáticas diferentes, fizeram grande sucesso. A cada novo texto apresentado, fica mais evidente para o público brasileiro o porquê do jovem dramaturgo ser considerado um dos mais importantes autores da contemporaneidade.

 

Ficha Técnica:

TEXTO: Mike Bartlett. DIREÇÃO: Nelson Baskerville. ELENCO: Bruna Thedy, Daniel Tavares, Hugo Coelho e Marco Antônio Pâmio. TRADUÇÃO: Marco Aurélio Nunes. ILUMINAÇÃO: Wagner Freire. FIGURINO: Marichilene Artisevskis. CENÁRIO: Chris Aizner. TRILHA SONORA ORIGINAL: Daniel Maia. VOZ: Ligiana Costa. CANÇÃO “YOU KNOW”: Daniel Maia e Ligiana Costa. PREPARADOR CORPORAL: Mauricio Flores. ASSISTENTE DE FIGURINO:  Giovanna Belucci. TÉCNICO DE PALCO: Victor Khaos. TÉCNICO DE LUZ E SOM: Maurício Shirakawa. ASSESSORIA DE IMPRENSA: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. GESTÃO DE MÍDIAS SOCIAIS E TRÁFEGO PAGO: Cultura Lab. FOTOS DE DIVULGAÇÃO: Heloísa Bortz. IDENTIDADE GRÁFICA E DESIGNER GRÁFICO: Lucas Sancho. IDEALIZAÇÃO E PRODUÇÃO: Daniel Tavares (Da Latta Cultura e Conteúdo) e Jessica Rodrigues (Rodri Produções). DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Jessica Rodrigues. COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO: Carolina Henriques. PRODUÇÃO EXECUTIVA: Julia Terron. ASSISTENTE ADMINISTRATIVO: Rafael Tavares. ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Diego Leo.

 

Serviço:

 COCK, de Mike Bartlett, com direção de Nelson Baskerville

Temporada de 02 de abril a 11 de junho de 2026

Quartas e quintas às 20h

Teatro Vivo - Av. Dr. Chucri Zaidan, 2460 - Vila Cordeiro, São Paulo - SP, 04583-110

Valor ingresso: R$ 100 (inteira) / R$ 50 (meia-entrada)

 

Duração: 90 minutos

 Classificação indicativa: 14 anos

Bilheteria: (11) 3430-1524 - Horário de funcionamento da bilheteria: 2h antes da apresentação.

 

Estacionamento no local

Entrada pela Av. Roque Petroni Jr, 1464

Valor R$30

Funcionamento 2h antes da apresentação e até 30 minutos após a sessão.

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